Não são poucas as estatísticas, no Brasil, que comprovam que a taxa de mortalidade empresarial – negócios/empresas que são extintas antes de completar 2 anos – chega a assustadores 70%.

Diversas investigações realizadas através de entrevistas com empreendedores revelam que esta baixa performance, invariavelmente , aponta para fatores exógenos às empresas, tais como: impostos, governos, politicagens, sócios, empregados, fornecedores, clientes, etc.

O que há de comum nestas causas é que são, todas, sem exceção, externas à gestão.

Por outro lado, são inúmeros os estudos de casos de sucesso empresarial relatando empresas que subsistiram, apesar de expostas aos mesmos constrangimentos externos.

No entanto, há pouca investigação em profundidade, sobre fatores internos que diferenciam casos de sucesso e casos de fracasso.

E, menos ainda, pesquisas sobre fatores controláveis que , se adequadamente equacionados, evitariam a morte prematura dos pequenos negócios.

Este artigo tem este foco.

Seu título é um chamariz para a leitura. Alerta para comportamentos empresariais inadequados que poderiam ser perfeitamente evitados. E , quando não o são, a penitência é pesada: a morte do negócio.

O primeiro pecado: Idéia x Projeto x Empreendimento

A grande maioria dos negócios no Brasil começa pequeno. Nossos pequenos empresários são criativos, inovadores e frequentemente partem de uma idéia que preenche uma lacuna de mercado.

Os brasileiros são mundialmente conhecidos por sua capacidade criativa, quase espontânea.

O pecado começa quando se crê que uma idéia, por si só, garante um sucesso infinito.

Tal crença omite duas falhas gritantes:

- Uma ótima idéia não fica sozinha no mercado por muito tempo;

- Uma ótima idéia sempre será substituída por outra ainda melhor.

Uma idéia, para levar seu autor ao sucesso e garantir sua permanência precisa sofrer um processo de metamorfose. Precisa passar por duas transformações.

A primeira, logo após ser sedimentada enquanto idéia, precisa se transformar em um projeto. Nesta fase, agrega elementos de cenários, de tempo oportuno, de ameaças e oportunidades, de pontos fortes e fracos e de quais pressões e desafios o projeto deverá enfrentar e vencer para se consolidar.

Logo a seguir, analisam-se recursos disponíveis, bem como aqueles que precisarão ser adquiridos a fim de “tirar o projeto do papel e coloca-lo no mercado”.

E, como última atividade nesta faze da transformação é necessário uma análise de viabilidade a fim de que se tenha uma estimativa do retorno econômico do negócio.

Na segunda fase da metamorfose o projeto toma a forma de empreendimento. Sai do papel para ser implementado. A partir daí, deve ser visto como um filho. Requer controle e acompanhamento até que esteja pronto para andar sozinho. Mas, tal qual o filho, continua objeto de observação, ainda que de forma gradativamente superficial.

Quando o empreendimento atinge a sua maturidade é hora de o empresário também amadurecer. Neste momento ele se torna mais empresário e menos “pai” do seu “filho/produto”. Mas, até que isto aconteça é preciso implantar medidas de monitoramento, de forma a certificar-se que o “filho” não se afastará da rota traçada e esperada.

Na fase de crescimento, o empreendimento prescinde de acompanhamento através de “Indicadores Formais de Gestão”. Estes indicadores devem ser segmentados em quatro grupos de atenção: finanças, vendas, operações e recursos humanos.

O segundo pecado: Ganância x Sustentabilidade

Frequentemente observamos empreendedores jovens, criativos e inovadores à frente de novos negócios.

Até mesmo por características próprias da juventude estes empresários iniciantes são traídos pela pressa em atingirem resultados e sucesso econômico.

Este pecado caracteriza-se como a ganância. Ao contrário da ambição – saudável para todo empreendedor – a ganância caracteriza-se por uma visão empresarial míope. Uma visão de curto prazo.

A experiência recente das empresas ponto.com – que tanto forneceu exemplos de sucesso como de fracasso – é vista por estes jovens apenas pelo seu lado glamoroso.

Mas, a maioria destas empresas ou saiu do mercado ou foi incorporada por aqueles que entraram neste mercado com uma visão de longo prazo.

Todo negócio precisa ser sustentável, para se provar bem sucedido. Isto significa que o empreendedor tem de visualizar a sua imagem no futuro. Quem sai fora de hora pode até sair rico, mas nunca tão rico quanto aquele que adquiriu o seu próspero negócio.

Estamos convencidos de que todo negócio, para ser sustentável, precisa ter uma Missão e uma Visão.

A missão é a própria razão de ser/existir , seja do empresário, seja da empresa. Os princípios que norteiam as suas ações, a visão é a projeção de seus objetivos de médio e longo prazo.

Esperar ficar rico em pouco tempo não é construir uma empresa é apenas uma combinação de sorte e oportunidade, e isto não faz de ninguém um empresário.

O terceiro pecado: Autoconfiança x Prevenção

Quase um corolário dos dois primeiros este terceiro pecado diz respeito àqueles empresários que confiam, acima de tudo, na sua própria capacidade de resolver problemas e ultrapassar obstáculos quando eles se apresentarem.

Têm pensamentos do tipo: Ah!. Quando chegar lá eu dou um jeito! Esquecem-se que, sob pressão, a criatividade, dominada pela ansiedade ou pela emoção, fica sufocada.

Na prática, tais empresários não se previnem, não se antecipam.

Vivem tão intensamente dentro de suas empresas, voltados para os seus “produtos” que se esquecem que existe um mundo em transformação lá fora. E, muitas vezes, quando se dão conta disto, seu produto ou sua empresa já não atendem os requisitos do mercado.

O mundo em transformação exige planejamento e reinvenção constantes,todos os empresários sabem – ou deveriam saber – que a única constância no mundo dos negócios – e na vida – é a mudança.

Mas, infelizmente nem todos tocam suas empresas internalizando esta grande verdade.

E, em função disto, não se antecipam às mudanças, que, quando chegam, encontram-nos totalmente despreparados.

Neste momento, não há inteligência, versatilidade, esperteza ou apoio externo que dê conta, a mudança é como uma locomotiva em disparada. Pesada e muito veloz. Quem não estiver do lado de dentro deste comboio vai pagar a penitência.

No próximo artigo veremos mais alguns pecados, até semana que vem…

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Texto de Antônio Eustáquio Gomes de Souza proprietário da Pilar Consultoria Ltda. Economista, com MBA em Finanças especializado em Economia Brasileira, Finanças, Planejamento Empresarial e Empreendedorismo. souza.pilar@globo.com / 31 9635 3820